Saturday, March 14, 2009

A HORA SABE A TER SIDO

Ah! Como esta hora é velha...
O tic-tac do cansado relógio
Faz pairar memórias no ar...
O teu olhar, praga sem sentido,
Ainda assombra os meus risos;
Cada gesto teu, abismo luzidio,
Aparece-me em imagens langoradas...
Bate uma saudade breve mas fatal
Recortando o sol que cai nas ruínas
No horizonte do silêncio raiado.
Os meus desejos balouçam na brisa,
Há alguém que me fita no nevoeiro,
São sonhos lúcidos e derradeiros
Nesta hora absurda e transviada.
O teu silêncio fechado angustia,
Magoa o meu crepúsculo fundido
Acelerando-o na minha alma tardia...
Se fôssemos nós duas figuras ledas
Num vitral de um mundo longínquo
Trespassado pelo Ocaso vazio, ténue,
Todos os segundos brotando límpido!
No meu céu soturno e pesado
Nunca houve uma única estrela...
Os reflexos no lago espelhado
Estão distorcidos com o vibrar
Do silêncio tenebroso e críptico;
Até mesmo as sombras carregadas
Estão mais tristes do que nunca;
Deslocam-se sôfregas as núvens;
As aves pecam ao cruzar o horizonte
E a cada ribombar de pétalas alvas
Eu recordo-me da tua voz maviosa
Misturada com os risos da fonte.
Nesta Hora enrugada jaz serenidade;
Ela, feita de mim, dos seus lamentos,
Talhada em safira de cristalino azul
É baça na sua essência interior.
Não sei o porquê disto, nem de tudo;
Eu sou uma doida que estranha o mundo.
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