Friday, July 14, 2017

Saudades das tuas particularidades



Escreves muitos "a" sem "h"
E enquanto te leio falta-me sentir o teu sorriso a olhar para mim,
E toda a minha vida percorrida pelos teus dedos,
E até o teu som de estalar o corpo,
Como se sente nostalgia de ouvir o som que a antiga casa fazia;
O teu corpo esquálido de alabastro, o perfeito abrigo para o meu corpo aranhiço;
A tua vida a palpitar na calma excitação, essa ternura tranquila, que não se mede pelas palmas das nossas mãos; 
O teu tacto e polidez a cada frase minha, quase como resposta biológica;

São singularidades que me vêm à memória e de que sinto falta no ruído da madrugada, para silenciar a minha mente e sossegar o meu coração.

Sunday, July 02, 2017

As auréolas abocanhar-te-iam as pupilas e cada poro do meu corpo, micro-vulcão de desejo, queimaria a tua alva pele. Demasiado fluxo mental, demasiada vibração corporal, intensidades sísmicas das quais provavelmente não recuperarias. 
Ainda me dirás o que sentes, ou também me condenas ao abandono? 

O naturalismo dos Homens

Não falemos das plantas masculinas nem das plantas femininas, 
Mas é sabido que todos preferem o corpo à mente com todos os seus tropismos. 
As raizes ramificam-se e são super funcionais no que é superficial. 
A fisiologia dos seres cuja função derradeira é a de se duplicarem apenas por uma questão narcísica de sobrevivência espalham-se pela terra. 

Esta é a biologia e antropologia dos seres, que durante séculos maravilha os seus estudiosos. O mundo natural no seu primor e primordial significado. 

mens insana in corpore insano

Nesta existência lentamente se degrada e se degenera
Nem sequer cumprindo a função de ser húmus para a terra 
O corpo é cadaverizado em vida
E a morte já vem tarde para a recolha

Não falemos do espírito, da alma, da mente, pois esses nunca chegam a ser algum dia integrais, 

Unos e sãos, completos na sua essência. 

Saturday, July 01, 2017

Afogas-te nas memórias diluídas 
Tal como eu embarco nelas...
Faltou-me saber reconhecer a verdade 
Parar com os textos repetidos
E começar por admitir a vontade 

É sempre tarde quando te apercebes
É sempre impossível quando não consegues 
E acabas por ficar apenas com a maresia 
de uma vida por viver

Os redemoinhos de repetições 
Sucedem-se implacáveis 
Nunca varrendo a inutilidade 
E a vacuidade que cega,
Mantendo-nos sempre na escuridão 

Eu esforcei-me demasiado  
Fui contra a corrente 
Qual eterna rebelde 
Mas descobrindo o niilismo da vida 
Como e por quê continuar

Em décadas sucessivas de naufrágio?
A pele do corpo nunca se repete, 
Porque é assim que se mede o tempo,
E da linha sisuda do horizonte 
Estendem-se triliões de raios de luz 
Que se espraiam no seu corpo 

Deleitando-se depois da cansada jornada do sol poente. 
Habitas a minha insónia como um inquilino permanente 
E na escuridão da noite és tu quem trazes a aurora a pouco e pouco
E a vertes sobre mim em sorrisos que nunca existiram antes de nós os dois 
Das janelas das nossas mentes vemos os vôos infinitos dos nossos sonhos 
E por instantes tudo é mais belo do que o mundo
As nossas mãos unem-se tão completamente que parecemos gémeos siameses no bater do coração sincronizado 
E a vida torna-se uma possibilidade pela primeira vez
... 

Entretanto desperto do sonho.
Como estar consciente neste mundo
E continuar a sobreviver, 

Sempre desajustado à sociedade doentia?
Foi tão imensurável a intimidade que aprofundaram numa só madrugada, que lhes valeu vidas inteiras que nunca viveriam. 
A entidade que é a impossibilidade esteve sempre à espreita, 
Tornando aquela mais bela felicidade em terna tristeza.

O silêncio antes da palavra dita

É igual ao instante anterior ao beijo?