Thursday, December 31, 2015

Neste instante poderia dar tudo para estar naquela amostra de istmo no Baleal de mãos dadas contigo, protegida do frio nem que fosse pelo abraço do teu casaco branco, como outrora. Bastava isso para agora me aquecer o coração como a doce memória o faz um pouco.

Wednesday, December 30, 2015

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Naquela tarde chovia e ao olhar tudo parecia azul-cinza escuro.
Pensei em como um dia passeei pelos montes e noutro pela praia,
e num outro dia conheci o calor de uma fogueira e ainda noutro pisei as folhas secas no caminho.

Pensei em como houve alguém que me afagou o cabelo e outro alguém que me abraçou muito forte.

Como é que é possível que o vazio que as pessoas deixam seja também um preenchimento que transborda?

Tuesday, December 15, 2015

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A verdade visceral é que todos eles têm bolor nos olhos e já estão mortos e não o sabem.
Por isso, com as suas línguas bífidas exalam bafos fétidos de uma podridão de preconceitos.

Friday, December 04, 2015

Maria Lisboa

Hoje fui à Rua da Prata e comprei-te três sabões: um de argila, outro de mel e outro de jasmim e alfazema com azeite.
Calcorreei todo centro da cidade e ainda subi até ao miradouro de S. Pedro de Alcântara só para poder sentar-me e descansar olhando a bela vista.
Estava lá um senhor já velho e cansado - pois até escorregou do seu banquinho e deixou cair a viola - a cantar "cheio de penas" e interrompendo-se comentou "tantas penas até parece que sou uma galinha". Depois, mais à frente quando viu um grupo de turistas a aproximar-se em direcção a ele, de novo interrompeu-se "vamos lá trabalhar que agora é a sério".
Eu ri-me de ambas as vezes e entristeci-me ao ouvir os fados e a lembrar da mesma solidão de há 15 anos ali naquele mesmo miradouro.

Agora que já vai longa a noite, penso em como as estrias do teu corpo são a terra infértil e árida em que decidi não semear. Já os sabões que te comprei nada vão mudar.
Porque na realidade nada muda, assim como nada perdura.
Um dia quando olhar o céu ele vai estar branco sem nuvens e eu vou estar deitada na terra azul, esquecendo-me de tudo.

"Reduz as tuas necessidades se queres passar bem".

Quando estamos limitados, inclusive em aspectos importantes como a mobilidade, é inteligente adaptarmo-nos de modo a que não necessitemos mais de fazer essas coisas.
Foi o que eu fiz e é muito estranho para as outras pessoas compreenderem mas atingi há muito um estádio de não necessitar tanto de alguma coisa ao ponto de não passar bem sem essa coisa.
Da desilusão: amarga como uma toranja, ácida como um limão...

Wednesday, December 02, 2015

... fuga de cérebros, fuga de impostos, fuga de informação, fuga de capitais... Eu gosto mais do "Fuga das Galinhas" (dos únicos preferido em versão portuguesa) grin emoticon