domingo, março 22, 2026

Rapariga de papel numa cidade de papel

 Agarram-se muito de vez em quando 
músicas à minha cabeça entre os ouvidos 
eu sei que não fui feita para este mundo 
mas tentei fazer algumas coisas 
que o mundo logo tratou de destruir 
porque eu sofro de alergias a quase tudo
mas insisto em queree ver, conhecer
poder admirar, cheirar, tocar e até absorver 
até ao recordar violento do choque
do espirro, da comichão, da dor, da infecção 
eu não sei de nada senão passar tormento
sem ter quase nenhum alento de ninguém 
as minhas batalhas a cada segundo 
são como o vento: chega e vai mais além 
ora a vertigem, da tontura, da fraqueza 
ora o trespassar, o abalroamento, a leveza
que me faz ir no vendaval do mau tempo 

Tu vives na cidade dos arranha-céus 
eu lembro que era a mais poluída 
e os meus pulmões que nunca foram bons
certamente sucumbiriam 
mas o meu coração também já sucumbiu
pelas orquídeas que despontam de troncos
e pela graça de alguém se lembrar de mim
abençoando-me sempre que as fotografa
Quantas pessoas me disseram que viesse?


(today saw on tv Paper Towns)


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