Agarram-se muito de vez em quando
músicas à minha cabeça entre os ouvidos
eu sei que não fui feita para este mundo
mas tentei fazer algumas coisas
que o mundo logo tratou de destruir
porque eu sofro de alergias a quase tudo
mas insisto em queree ver, conhecer
poder admirar, cheirar, tocar e até absorver
até ao recordar violento do choque
do espirro, da comichão, da dor, da infecção
eu não sei de nada senão passar tormento
sem ter quase nenhum alento de ninguém
as minhas batalhas a cada segundo
são como o vento: chega e vai mais além
ora a vertigem, da tontura, da fraqueza
ora o trespassar, o abalroamento, a leveza
que me faz ir no vendaval do mau tempo
Tu vives na cidade dos arranha-céus
eu lembro que era a mais poluída
e os meus pulmões que nunca foram bons
certamente sucumbiriam
mas o meu coração também já sucumbiu
pelas orquídeas que despontam de troncos
e pela graça de alguém se lembrar de mim
abençoando-me sempre que as fotografa
Quantas pessoas me disseram que viesse?
(today saw on tv Paper Towns)
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