Friday, October 19, 2012

Epitáfio de Portugal

Aqui jaz Portugal
cuja data de nascimento
e data de morte
não têm precisão tal
que haja discernimento
capaz de lhe ler a sorte.

Da fibra que teve
apenas reza que foi por necessidade
sem grande interesse no bem comum
à medida que a gente ferve
por causa da riqueza e da vaidade
de todos e mais algum.

Alimentação farta se concedeu
enquanto outros se contentavam
com bifanas, cervejas e tremoços
Sugaram-lhe o tutano no apogeu,
lambuzando os dedos olhavam
enquanto ficavam apenas os ossos.

Oh burocracia entrevada,
que nem numa cadeira de rodas é empurrada!

Dizimaram a Flora em prol do alcatrão,
não vêem que não chegam a lado nenhum
sempre só a cultivar o betão;
dizimam-se futuras colheitas
cimentando o pão às pessoas
que se vêem obrigadas
a abandonar a agropecuária
que nos séculos anteriores
tiveram no coração.

Não há lugar a elegias
ao moribundo país,
que acabou com as alegrias
de um povo que não lhe traz flores à campa.

Portugal, Portugal, que nas tuas próprias terras jogaste sal!
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