Petrifiquei-te numa imagem. Fui querendo ver se eras mesmo assim, ou da minha nente somente uma viagem. Aconteceu seres sempre uma miragem. A mais esperada. Meu oásis de um pedaço de água embriagada.
Chorei um dia, mais, muito depois, já tarde. A poeira de que nos fizemos, a densa neblina que esperei que a aurora mais aguardada rompesse, a geada, não chegou, esse momento tão ansiado mas não almejado, não chegou.
O teu corpo continua etéreo, um vulto sem qualquer detalhe. O teu rosto também mas mais sorridente, por raras vezes. Eu sinto o vazio que nos preenche. Somos repletos por eles, esses vazios consonantes. A inutilidade do meu ser com a ilusão do teu ser.
Assomámos uma realidade decrépita, umas ruínas espalmadas no châo. Sobrou só pó. Tu gozaste até com a minha própria língua, com as palavras de amor, com o sentimento profundo, com a dor.
Às vezes pergunto para ter a certeza que não exististe. Às vezes o céu responde-me com as aves, as borboletas e a Lua, quase sempre ela a acompanhar-me como tu. É a luz reflectida do luar que ilumina a tua estátua na minha memória. O Sol não.
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