O misógino encapotado tem muitas amigas mulheres e é capaz de dizer em alto e bom som que é feminista porque tem mãe e irmãs. Ele é o verdadeiro artista. Consegue convencer o mundo inteiro que qualquer falha ou falta é devido à sua suposta jovem idade, imaturidade e água benta. Ele até tem muitas vezes nome santificado, ou de boas famílias.
O que o misógino encapotado esquece de versar a plenos pulmões é que gosta de se sentir desejado por várias e ter amantes em todo o lado. Que o corpo delas, ou apenas um sorriso breve, já as torna objecto de desejo e posse, pois se elas se põem a falar para eles já é demais e logo soltam um bocejo. Eles só têm grupos de verdadeiros amigos homens, que com eles fraternidades formam. Eles fazem questão de usar as mulheres a seu bel-prazer e só enchem a boca de elogios se souberem que vão colher. São capazes de admitir anos depois que sempre se sentiram atraídos e tiveram uma paixonite e elas se não tiverem um sentido de alerta entram no engodo porque, afinal, sempre gostam de se sentirem desejadas.
Aos amigos dos homens tudo é permitido no final do dia, às mulheres nem tanto. Eles escutam os homens e fingem escutar as mulheres. Ao pé de um grupo delas, em vez, são as coqueluches, os servidos. E assim pensam que podem arranjar perfeitos maridos. O que desconhecem é que eles não amam mulheres e também porque no fundo sentem um rancor seminal porque um dia tiveram de obedecer às suas mãezinhas. Tão prestimosas e também mandonas, enganadas, as coitadinhas. É tudo isso que o misógino encapotado é primordialmente: alguém que odeia secretamente alguma vez ter tido de depender e ter tido como dona uma mulher. Ter-se sentido um escravo, ter sentido esse garrote ao pescoço, esse grilhão, essas algemas no coração, quebrado por uma Eva em desilusão.
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