O mundo ajoelha sob luzes artificiais
Segue vozes sem corpo, sem verbo, sem razão
Ídolos de vidro, promessas digitais
Vendendo atalhos à alma em suave prestação
Reis sem reino erguem tronos de opinião
Coroas feitas de 'likes', ouro falso a reluzir
Pregam força onde há medo, fé onde há negação
E chamam “despertar” ao acto de repetir
Tudo é curso, método, chave-mestra
Tudo é palco, performance e pose vazia
A dúvida é crime, o silêncio é fraqueza
Pensar devagar virou heresia
Há 'coachs' de nada, profetas do eco
Machos de cartilha, raiva bem vestida
'Red pills' servidos em copos de ego
Como se o mundo coubesse numa ferida
A dor vira marca, a verdade, tendência
A complexidade cansa, não dá lucro, não vende
Prefere-se o grito à lenta consciência
E a frase feita ao que realmente se entende
Mas sob o ruído ainda há chão
Ainda há palavras que não pedem aplauso
Ainda há quem pense como acto de insubmissão
E quem diga “não” sem precisar de um palco
Porque o mundo sob influência esqueceu-se de ser
Mas nem todo o espírito aceita molde imposto
Há quem escolha ver, mesmo quando dói ver
E salvar o significado do que ainda é nosso
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