Wednesday, March 03, 2010

Em tua ausência...

Pediste-me segredo e eu guardei-te
por debaixo de frondosos choupos.
Lavei-te as feridas com as minhas lágrimas
e cheiraste-me a rosas,
desfiadas as suas pétalas no meu colo.

Dentro de mim, quando ouvia a tua voz,
vibravam pequenos cristais,
prismas de luz pela tua boca irradiados.
Longe de ti as palavras perderam o som.
Deixei-te vestido com sombras e entregue à noite.

Às vezes, tenho dúvidas sobre o teu rosto
e consulto uma tua fotografia, como se fosse
o dicionário da memória da minha paixão.
Fecundo, o teu abraço, e longos, seus dias de sol.
Agora também ele, jaz na fotografia,
enquanto o teu corpo, semente da penumbra,
marca-me a ferro e brasa com a tua ausência...

Não durmo, tenho pesadelos. Uma e outra vez
tu apareces neles e sempre a sensação angustiante
de que te vou perder, engolido por uma onda,
ou por outra avassaladora fatalidade,
a que assisto impotente, a querer gritar
e a despertar à força, arrancada dos seus ventres
da mais dolorosa maneira.
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