Escrevo-te com o sangue diluído em lágrimas
a partir do tinteiro do meu coração
e com a pena do corvo negro
que um dia foi apenas azul.
E escrevo-te porque sempre foste tu
e porque nunca soube onde estavas
e no entanto continuei a escrever-te
no papel translúcido e pardo
para um endereço sem morada.
Não consigo precisar
se foi a falar contigo em pensamento
ou se foi a escrever
que cedo perpetuei o hábito
de ninguém me responder.
Porque a solidão é a minha maior companhia
e, como dizem, não me dou com pessoas
nem tão pouco com animais.
E a minha vida sempre foi torta
como a escoliose que me oscila
um centímetro e meio para o lado errado
em meia dúzia de vértebras insustentadas.
Escrevo-te sobre coisa nenhuma
e como sempre foi apenas fruto do ar
que o vento levou e não esqueceu
deixando a sua marca febril
nas minhas veias marcada.
domingo, dezembro 16, 2012
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