sexta-feira, janeiro 23, 2026

 Hoje ouvi esta música da minha favorita Nina Simone pela primeira vez.

Foi um outro pedaço em que o som do contrabaixo me fez ficar a ouvir o trecho em loop.

Há uma magia sonora que opera no nosso corpo e atravessa o coração.

Dizem que é o ritmo da percussão. O latejar nas veias, o pulsar que a pequena bomba emite e ninguém sabe até onde pode chegar.


(escrevi isto num story com a música When I was a young girl)

quinta-feira, janeiro 22, 2026

Consequência de ti

 Fui consequência de ti
Não lamento a vida passada
Assim como tu, só existi
Inventando uma caminhada

Porque tu exististe
Também eu fui
Assim como viste
Algo que rui

E como ondas do mar
Que fazem navegar
Ora fomos para cima 
Ora para baixo nessa rima

Era o que tu dizias
Com tanta certeza 
Aprendeste com o que lias
A ter tamanha destreza

E com o teu pai a lição 
De que não há o que fazer
Se um dia é de paixão 
E o outro de morrer


 O que é isto, não sei
Porque as nuvens pesam toneladas 
E os galhos de uma árvore quase nada
E eu do amor fiquei desencontrada
A partir do dia em que o olhei
Num espelho na minha mão 
Não, foi numa tela do coração 
Ou no monitor do computador 
Uma impossível aparição 

Uma pedra preciosa no chão 
Apanhei-a sem grande questão 
Deuses sabem o quanto a adorei
Levei-a comigo para todo o lado
Fui apenas um bobo ludibriado
Pela mais velha canção no ar
Que exaltava o brilho do seu olhar


quarta-feira, janeiro 21, 2026

insta c reels a ouvir pássaros no anfiteatro

- por acaso, ao sentar-me no mesmo local onde estivemos pela primeira vez, já vai fazer este ano uns 20 anos, sozinha a ouvir os pássaros, apercebi-me que afinal não houve ninguém que eu, ao encontrar pela primeira vez sentisse de imediato que aquela era a pessoa com quem eu me via uma vida inteira até ao fim. e isso também me fez chorar. só um pouco. a vida e o amor são muito piores do que nos filmes. por isso é que eu só vejo romcoms totós volta e meia. por mais que hoje em dia também me façam chorar por lembrar de alguém que afinal nunca existiu, mas que esse sim era quem eu cheguei a imaginar que me pedisse logo na primeira vez que viesse ver-me à janela que fosse para sempre. 

tu disseste que chorei chuva. sim, 'chovei', mas só duas lágrimas. 

#onceuponatimeiwas #birdschirping #tbt #memo #noone blablablawhiskasaquetasblah

terça-feira, janeiro 20, 2026

não cairei de novo

 não cairei de novo
no desejo de te ver
na vontade de te ouvir
no ímpeto de te procurar 
na busca do teu olhar
no querer te encontrar 
nas ganas de abraçar 
no fogo de te desejar 
na ânsia de voltares
na fome de te espreitar 
na sede de te amar 
na saudade de te lembrar 
na dor de não te ter
na desilusão de me rejeitares
na miragem do teu sorriso 
na tua voz que era meu abrigo 
não cairei de novo
pensar que eras meu amigo

(don't worry, no one is coming back)

domingo, janeiro 18, 2026

 a liberdade 

assim como o amor

foi um sonho bonito 

de alguém sofredor 

que só queria voar

mas nunca pôde votar


Do Amor

 Eu acreditei no Amor, bastante, o suficiente para ter cedido a ele e ter lutado para ficar com ele tantos anos. Mas só o facto de se ter de lutar já é indicativo de que há problemas e de que não é para ser. Demorei muito a entender. Demorei muito a desistir. Pensar que alguém nos ama o suficiente para nos querer assim para sempre é algo fantasioso, na verdade. As pessoas acomodam-se, são boas a não se questionar, a deixarem-se estar, a não se darem ao trabalho de arriscarem e descobrirem que afinal estavam enganadas e deixaram-se ir. 

Para muitos é tarde, sentem, ou dão essa desculpa a si mesmos. Tarde para desistir, para começar de novo. As pessoas vão morrendo ao poucos em vida. Seja na acomodação, seja na rotina.

O esforço de amar alguém e de fazer o exercício de estar em conexão com essa pessoa parecia-me algo desnecessário quando o amor existia e isso simplesmente bastava. Mas na realidade não é nada assim com ninguém. As pessoas esquecem-se, não prioritizam as outras e acabam por negligenciar o cultivo da relação. Acontece com toda a gente. Porém, eu tinha uma relação à distância que alimentava a paixão de cada reencontro e isso mascarava o resto das necessidades, de alguma forma. Só que esses disfarces não duram para sempre. Um dia a casa cai. A verdade explode-nos na cara e já não há como relevar. 

Uma relação de amor implica isso mesmo: uma relação de amor. Um carinho, uma atenção, um cuidado, um olhar, um abraçar, um acompanhar. É uma longa maratona a percorrer. Eu queria fazê-la contigo, como talvez nunca tenha feito com ninguém. Mas não pude. Tu não foste quem me amou o suficiente para não me largar. 


sábado, janeiro 17, 2026

Do que é feito o amor?

 Ele é o olho que me vê quando eu não estou
E os braços que nunca me chegaram a abraçar 
Quiçá o mar, quiçá o céu, aquela nuvem 
Tanto como eu
Mas o que é tangente não se encontra 
(a não ser no ponto de tangência que não temos)
É só paralela infinita no desencontro 
Buscando um pouco mais do que tem
Pior quando nada se tem, assim vazia
De um dia ter estado a transbordar 

O som não tem o seu reverso
Só eu no meu silêncio 
Enquanto o assombroso assobio do vento
Lembra-me dos fantasmas na minha solitude

Ninguém me deixa esquecer-te 
Nem eu 
"quero esquecer-te, acredita,
mas cada vez há mais vento"
E aquela dor permanece 

 - Passa das 5h da manhã. Há uma hora atrás, enquanto acabava de ver o 2° episódio da série documental "Deus Cérebro", o meu olhar vislumbrou ao longe um pedaço do capôt coberto de geada desse carro, pela janela. Uma imagem que me lembrou de desolação. 

Entretanto, já chove.

Pensei em ti, como sempre. Mas, enfim, mais uma vez com a resignação já antiga de "tu ne m'aimes plus". É, essa é a imagem. Fria e distante. Como o que me dá bronquite asmática. 


(pus no insta com a música de reels de November Ultra)

quarta-feira, janeiro 14, 2026

 É incrível como milhões de palavras não conseguiram dizer o que eu sinto de verdade e por quem. 

Pelos vistos, a minha interioridade é mesmo tão privada que jamais será pronunciada. 

Eu amo-te

Dizer em inglês sobre amar-te sempre foi mais fácil. Talvez até nisso sejamos iguais. Escrever em português que te amo só foi mais fácil quando estava sob hiperadrenalina e se não expressasse e te dissesse que te amava sentia que ia morrer. Literalmente "se eu não disser que eu o amo, morro" e nem é camoniano do devemos clamar/cantar os amores - e como tu zombaste de mim -, não, era mais do que isso, coisa de segundos fatal. 
"Eu preciso te falar, te contar de qualquer jeito", era tipo assim. De tirar alguém da forca. Que desespero e figuras ridículas e todas elas necessárias e absolutamente inteligentes para se darem, não é verdade? E isso só se pode fazer na nossa língua, mesmo que não seja a nossa linguagem. 
Este é o ano para esfriar tudo. Deixar tudo sanar. Para tudo ficar no lugar. O amor, como sempre, há-de continuar, mas de vez sossegar e só ficar no arquivo da memória. 

Eternidade

 Vocês, os três, menina e moços, eram perfeitos para mim exactamente sem tirar nem pôr. Foi uma espécie de um instantâneo amor.

Miragem II

 O perigo de amar uma miragem é que, seja ela a de um oásis no deserto, ou a de um reflexo no espelho ou num lago, sempre acabamos a afogarmo-nos.

Tu ainda existes?

 Escolheste existir como um servidor no final dos tempos; vieste ensinar o amor, até nos conventos. O ringue da morte é da pesada. Lutas, lutas e não levas nada. Vês as pilhas de cadáveres dos estudantes iranianos no passeio e, depois, o passeio percorrido vazio com um rastro infinito de sangues imprimido. E as crianças esfaimadas e enregeladas nas tempestades em Gaza. 

Choraste pelas vitrines do horror. Uma mão cheia de terror. Vinte léguas ultramarinas ultrapassadas por ninguém vingadas e um submarino colonial a vigiá-las. Um dia foram bombardeadas, depois de séculos saqueadas.

Os pulhas não se alinham senão em pódios de tecnológico ódio e gaguez. Nunca se terá visto tamanha estupidez. E já a minha lucidez e alegada aclamada clarividência não traz luz nenhuma sobre uma saída do fundo do túnel.

A corda rebentou. O barco virou. A raiva não chegou a falar mais alto. Eles morreram todos, barriga no asfalto. Perdão: é mais costelas quebradas e caixa torácica rebentada, miolos estoirados, cérebros desactivados. No Nepal e na Bulgária funcionou. Em Portugal funcionou? No Irão não. Não sabe ninguém, nada. Ficou a potestade calada. A informação sonegada. Não há interesse em gates, no más, só alcatraz. 

Os fantasmas da Hhistória regressam. Eles não são mulheres. Curiosamente não existem. Mas escolhem os talheres. Mas não o que insistem. 

Eu sei que tu ainda existes. E odeias-me. E fazes muito bem. Porque eu fui dos teus piores inimigos, como tu foste de ninguém. Só te amo porque amar é condição incondicional, não tem solução, não se resolve, não é adicção, é só simplesmente natural. Eu amo-te, mundo mundo, mas não a ti pessoal. 

Quando começa a paixão?

 Talvez eu tenha sido sempre apaixonada por ti, até mesmo antes de saber que existias. Talvez até mesmo quando te vi pela primeira vez e escolhi o teu nome e me desiludi um pouco, ficando meio abespinhada também e nem sequer te segui. Talvez mais até depois quando tu e ele me falaram e eu pensei que não me podia entusiasmar tanto, que era bem capaz de fantasiar possibilidades (tendo eu impossibilidades) e que juntando-se características e atitudes de um e outro tínhamos alguém completamente ideal. Talvez tivesse é sido naquele dia que me disseste algo que me fez fugir de ter apercebido a possibilidade de te ser real. Talvez quando todos já me diziam e sonhavam e conspiravam e me enfureciam. Talvez tenha sido então depois quando me dei por convencida por todo o mundo, nomeadamente as tuas grandes amizades e pelas supostas flagrantes evidências. Esqueci-me o que eram as pessoas, dado tanto tempo de não estar a socializar nem inserida em grupos e deixei-me enganar pela mistura alucinogénica da minha hiperadrenalina a beirar o falecimento com a morte iminente, as drogas assassinas dos comportamentos de grupo; o clima do desespero do fim do mundo. 

Demorei anos para entender e admitir, aceitar o que era mesmo, essa queda também mortal que é se apaixonar, desta vez sem ser sob sequer a desculpa atenuante de pensar que era por empatia. 

A paixão apenas é confirmada. Ela sempre existiu como se espera um pássaro para um ninho. Essa é que é essa. 


(dps d ver algo d escrito d amor dos tão bonitos miúdos Zé Ibarra e Maria Petrucci ❤️❤️ inspiraram e lembraram coisas de mim 😭)

Hoje o Amor

 Hoje o Amor está no sorriso da menina-flor que nasceu no Nepal e veio para Portugal. Sozinha, deixou lá a sua família e veio trabalhar num restaurante onde encontrou colegas de lá também. 

O nome dela é Yasuda - que desenhei por ter o mais belo rosto de pintura no antigo bule de porcelana chinesa -, Urmila (que a invejava e que foi provavelmente quem riscou o rosto no primeiro retrato que fiz), e tantos outros. 

Ela tem o cabelo negro liso sedoso e um sorriso ora doce ora maroto. Todos brincam com ela. Ninguém brinca com ela. Ela é digna e amistosa, ela é também geniosa. 

Hoje o Amor serve-se em pequenas e intensas doses, muitas vezes embrulhadas em conforto quentinho e salutar. Com molho. Com diferentes texturas. Com carnes e verduras. A fumegar. Eu amo momos. De qualquer que seja o lugar. Mas que tenham esse sorriso inigualável a acompanhar: a felicidade e alta energia sempre a flutuar. 

terça-feira, janeiro 13, 2026

Curvas - Zeto do Pajeú

 "eita, quanto tempo uma canção demora no meu peito"


(música bonitaaa - reescutei hj versão lindaaa de Lê - escrita pelo poeta da "capital da poesia" no Brasil, S. José do Egito q eu tinha partilhado há semanas no insta reels sobre tb, mais uma terra onde eu haveria de ir, é bastante como o meu Alentejo e provavelmente é mesmo de seus descendentes ❤️)

segunda-feira, janeiro 12, 2026

 Sinto a tua presença no meu coração 
Sinto a tua ausência e só solidão 
Sei que num dia foste inspiração 
E depois só a minha demência 

O amor que tenho alojado 
No meu peito tão diminuído 
Foi sal para as feridas
Vida quando não havia vida

O impossível não é real
O possível é sempre igual 
O perfeito nunca existe 
E eu sempre fui anormal 

Somente e simplesmente só 
Querendo o paraíso sonhado
Segurança nos braços do amado
Foi algo reduzido a pó 

Das mortes

 Eles foram-se embora 

Um a um

E todos os dias 

Lembrei-os

Inventei despedidas

Chorei um bocado 

Tive o coração magoado 

E pisado, invisível 

Como uma mulher-a-dias

Que passa o tempo no chão 


Perdi todos, tios, tias, irmãos 

quarta-feira, janeiro 07, 2026

Um dia

 Queria-nos mansos
frouxos, roucos
exaustos
já sem força nenhuma 
para nos defendermos
fosse do que fosse
Queria-nos asténicos
poucos
quase nada do que fomos
um para o outro 
Queria-nos já não loucos
talvez apenas o que somos
quando meio-mortos
adormecemos

Assim já não nos feríamos
como duas bestas enraivadas
que fomos um dia

 Desculpa por te ter rimado com tudo. 😐

segunda-feira, janeiro 05, 2026

 óleo

crude

petróleo 

oleoso

crudento

nojento

putin

trampa

putrefacto

netanayahu


Pesadelo

 Os últimos anos parecem um pesadelo interminável. Ou melhor, vários pesadelos diários, que depois permanecem como traumas enevoado na memória. 
Cinzentos, muito escuros. Magoados. No corpo dores e na alma rasgos. Eu não ter mais capacidade de continuar. Perdi-a já há muito tempo. Não é mais como antigamente uma resignação, mas um luto destruidor e paralisante. Os lutos acumulados são como óleos de cor escura empastados uns sobre os outros. Viscosidade de alcatrão mas sem brilho. Com as suas pedrinhas como micro-memórias esmagadas e levadas todas juntas.

De todos os pesadelos que tenho, o pior é ter de continuar a viver como desde criança a querer morrer por causa do sofrimento e do caos e insegurança que me causam diariamente, vindo de quem precisamente devia ter-me protegido e amado. Toda a falta de respeito, de cuidado, de protecção, de amor e atenção, o abuso e a exploração, estão a latejar no meu corpo a toda a hora. 

Sei que terei descanso finalmente quando morrer, sempre o quis desde criança, mas não ter tido direito a paz, amor, liberdade, a poder fazer escolhas e ter uma vida estável e harmoniosa, é por demais injusto. E vocês sabem como eu sou com as injustiças. 

Alegra-te, meu ser amado de todos os dias, o meu maior pesadelo dá cabo de mim o dia inteiro. E não és tu. Tu foste apenas o meu maior erro. Um que nunca terá perdão.  Ou seja, a pessoa morre burra e estúpida. Mas, também, não é assim que todos morremos?

Como das outras vezes

 E, depois, muitos indignaram-se
Mas enfiaram-se em discotecas 
A dançarem e a se drogarem
Como se não houvesse amanhã 
Contudo, sempre houve
E eles não fizeram nada
Nem no dia a seguir 
Nem nunca 
Como de todas as outras vezes