Os últimos anos parecem um pesadelo interminável. Ou melhor, vários pesadelos diários, que depois permanecem como traumas enevoado na memória.
Cinzentos, muito escuros. Magoados. No corpo dores e na alma rasgos. Eu não ter mais capacidade de continuar. Perdi-a já há muito tempo. Não é mais como antigamente uma resignação, mas um luto destruidor e paralisante. Os lutos acumulados são como óleos de cor escura empastados uns sobre os outros. Viscosidade de alcatrão mas sem brilho. Com as suas pedrinhas como micro-memórias esmagadas e levadas todas juntas.
De todos os pesadelos que tenho, o pior é ter de continuar a viver como desde criança a querer morrer por causa do sofrimento e do caos e insegurança que me causam diariamente, vindo de quem precisamente devia ter-me protegido e amado. Toda a falta de respeito, de cuidado, de protecção, de amor e atenção, o abuso e a exploração, estão a latejar no meu corpo a toda a hora.
Sei que terei descanso finalmente quando morrer, sempre o quis desde criança, mas não ter tido direito a paz, amor, liberdade, a poder fazer escolhas e ter uma vida estável e harmoniosa, é por demais injusto. E vocês sabem como eu sou com as injustiças.
Alegra-te, meu ser amado de todos os dias, o meu maior pesadelo dá cabo de mim o dia inteiro. E não és tu. Tu foste apenas o meu maior erro. Um que nunca terá perdão. Ou seja, a pessoa morre burra e estúpida. Mas, também, não é assim que todos morremos?
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