Tem configuração rotunda
Esta dor dilacerante
Que me destrói devagar
E profusamente
Corrói qualquer hipótese
De se estar contente
Seja com o que for
Durante mais que minuto
Eu sei, eu escuto
Um queixume do coração
Que morre aos poucos
Tudo está quebrado
Nunca houve anjo
Era só um endiabrado
Quem eu tenho de abraço
Na memória de espuma
É alguém que foi devasso
Mas que pensei gostar de mim
Não sou dona nenhuma
De ninguém que não me quer
Pois só há um homem no mundo
De quem eu poderei ser mulher
E ele nunca existiu afinal
Por isso esta dor é, em tudo, normal
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