quinta-feira, fevereiro 20, 2025

Morrendo aos poucos...

 Nesta minha vida, foram muitas as despedidas. Só nos anos da pandemia do coronavírus foram dezenas e no ano passado mais de meia dúzia. Todos mortos maioritariamente de algo inesperado por todos. Eu fui-me isolando cada vez mais, aliás, tem sido assim desde que fiquei mais doente há uns 25 anos. Mas houve períodos em que me auto-ostracizei mais, como desde 2012 até hoje. Já se passaram 13 anos, entretanto. Estive num estado de suspensão, desde os meus 31 anos, portanto. Faz sentido então que as pessoas ainda digam que pareço ter quase 30 anos, quando em vez agora já tenho 43. A minha vida congelou, a pouca que eu tinha, na verdade, quase como um robot, como todas as outras pessoas que vivem uma vida dita normal, mas sem grandes condições. Só que eu tinha de me esforçar sempre mais. Sangrando, quase morrendo sempre, arriscando todos os dias um bocado, esforçando-me por coisas que na verdade talvez não se equiparassem ao valor do meu esforço. É, houve muito disso nesta vida: um esforço desmedido para conseguir sobreviver o dia-a-dia e levar todo o mundo para o seu melhor. 
Se eu tivesse feito o que queria, teria mesmo morrido antes de nascer, quando ela caiu da escada. Tenho pena de só ter ficado sequelada de tudo de mal que me foi feito nesta vida. 
Ninguém sabe de nada. Ninguém conhece os monstros que eu tive de enfrentar desde que nasci. A violência, os abusos, os maus-tratos, os assédios, os "ismos" todos desde o fascismo, ao racismo, ao esclavagismo, ao machismo, ao chauvinismo, ao sismo que é ter nascido neste mundo sendo e aparentando como sou. 
Tudo o que me foi tirado, tudo o que era meu e foi dado aos outros, tudo o que me foi roubado, tudo em mim que foi pisado e vilipendiado. Não há nada em mim que não tenha sido visto pelos outros como errado onde eu nasci. Não há ninguém que saiba como eu sei o que é ser errado aqui. 

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