sábado, novembro 29, 2025

Vete

 O fogo 
Guarda tu
Vai-te
Leva contigo 
O sopro
Eu fico
Respirando
Pouco 
Mas o suficiente 
Para não ter mais 
Perigo 

Um amor novo

 Precisavas era de um amor novo. Mas os antigos não acabam num estalar de dedos. Deixa lá, que com o tempo passam os enredos e desaparecem os fantasmas. Tens de ver que mesmo havendo quem diz que te ama e que vai cuidar de ti, provavelmente só querem fazer-te a cama e não te conhecendo bem tanto podias ser tu como outra mais além. 

Precisas de alguém que fique, ou que te leve e nunca mais te largue. É só. Que tu possas amar até ao fim. 

Um amor pacífico

 Eu queria ter o meu amor pacífico 
Como tive um dia essa bonança 
Um amor que era a minha pessoa 
Como eu era a dele sempre 
E mesmo longe não havia dia
Que ele não me falaria 
Mesmo sem falarmos sequer 
Era uma tal alegria voltar
Quando estávamos de novo
E a paixão retornava em tsunami
Mas tranquilo para nos banhar

Eu queria ter o meu amor pacífico 
Que me tivesse como mulher da sua vida
Como alguém me disse uma vez 
E eu não pude mais acreditar 
Talvez já seja tarde para mim
E afinal eu não tenha sido feita para isso
Mesmo que todos me digam que sim

Eu queria ter o meu amor pacífico 
Mas parece que não há amor possível 
Pois eu continuo agarrada a um fantasma
Que pôs fim às nossas vidas 
Mais à minha concretamente 
Já que ele vive sempre contente 
Especialmente com a minha despedida 

Este amor devastador

 Este amor devastador 
Que me matou 
Não tem fim
Ele deixou-me aqui
Para penar sem ele
E de repente morrer
Tudo novamente 
Com a memória 
A inundar-me 
Eu só queria 
Que tivesse sido 
Tudo verdade 
E que o que sinto
Fosse suficiente 
Para não me matar
Com a realidade 

sexta-feira, novembro 28, 2025

O caçador de sombras

Tu foste o meu caçador, quando sombras me habitavam e se entranhavam no meu ser. 
Alimentaste delas como os abutres da carniça mortiça. Tu foste o meu caçador e diligentemente, a todo o instante, montaste armadilhas, venceste-me nas trilhas espalhando os teus minions para me apanhar. Eles espiam-me até hoje. Volta e meia tu assombras-me, e eu embora esteja mais curada das minhas sombras, tu vens como vento repentino que suspira na minha mente uma esquecida canção de piseiro do meu coração, cheia de repentes e contradição. 
Eu caio de novo no redemoinho tortuoso da vibração e não durmo porque volto a absorver um bocado da tensão, mas agora sei que ela não é minha para eu ter de a suportar. Mas quem lhe diz, até às dez da manhã? Chego a desejar-te de surdina sorte e que vai tudo correr bem, como sempre correu. Talvez ainda não tenha aprendido a lição. Talvez ainda não tenha esquecido que um dia foste meu irmão. E também que depois caí em aflição, qual vítima ignorando o síndrome de Estocolmo, mergulhada no tormento da paixão. 
Tu és o meu caçador, ainda, rodeando-me quando a lua enche e quando o silêncio é mais alto. Eu sou o fogo que ardeu até cinzas, sopradas pelo teu furacão. Estiveste armado até aos dentes, a tua matilha era grande, usaste todo o teu arsenal para me matar e antes dilaceraste-me com dentes certinhos e brilhantes num enorme sorriso, seguido de gargalhadas estridentes. 
Eu não sobrevivi. A minha luz apagada sim. 

segunda-feira, novembro 24, 2025

Monção*

 A monção não desabrocha as flores
Senão talvez no deserto 
Assim como quando são sequiosos 
Todos os nossos amores
Não se importam com nosso alagamento 
Pois são terreno fértil à espera dele
Para nos acolher pertencendo
Há poucas pessoas assim 
Que têm arcabouço para tanto
Mesmo quando já tinham amor de todos
Sabem que o amor verdadeiro é raro
E nunca é demais, pelo contrário 
Pareceu-me que F. era assim
Será que fomos mesmo cobardes
Ou apenas nobres cavalheiros 
Que põem o bem dos outros à frente? 
Prefiro acreditar que sim
Que é para não me fazer mais descontente 
Era uma vez um conto de rua
Um mural, dois amigos-irmãos, uma lua
Antes de chegar a enxurrada
Despedimo-nos com a ilusão do reencontro 
Que nunca mais chegou a acontecer 
Porque as águas quando vêm de novo
Nunca são exactamente as mesmas 
E não sabemos para onde vão correr 

*prefiro a palavra em inglês, monsoon, pq em pt faz lembrar moção 🤷🏽

 

• tentei de tudo, mas não funcionou. nem a minha própria autosabotagem, nem ter feito de propósito pra irem às suas vidas, nem o lado mais monstruoso, nada, rigorosamente nada conseguiu exterminar o sentimento tão imenso e profundo. eu desisto. (quiçá agora funciona 🥴🤣🤦🏽q nada, acho q já disse isto d outras vezes e tb n saiu de mim este amor todo por todo, até os que me fizeram mal e os que me detestaram depois🤷🏽nada a fazer, é o que é, o que temos pra hj e pra arrependimento pro resto dos dias, 'parabéns, mto ruim', tyvm) 

#mondayblues #lost #easytolove #lullabyyourselfintosleep #goodnight #notfeelingveryjazzy #sad #hopeless #notgoodatsurrendering #reels #lucubration #shadow

(post q haveria d pôr hj c música jazzy Easy to love)

domingo, novembro 23, 2025

Dos arrependimentos

 Pensa muito bem antes de fazer o que quer que seja, como sempre fizeste antes de ficar tudo doido e torto na pandemia. Porque nunca mais podes dar-te ao luxo de fazer algo de que te arrependas para o resto dos teus dias. 

Continua o estado de inacção, como antigamente, prioritariamente, pois vives com mais uma coisa que deixaste de fazer, mas não uma só que fizeste e te arrependeste. Mesmo que tenha sido impensado. 

(é claro que, em pormenor, depende do que fazes e do que não fazes)

Nunca mais traias o teu coração

 Pensava eu que nunca o tinha traído, até entender que às vezes, em determinados momentos, o próprio coração não é confundido ou entra em conflito. 

Espírito

 Sinto que me foram matando
O espírito 
Primeiro ela
Depois todos eles
Que me tentaram calar
Que me fizeram sentir errada
Que me tornaram revoltada
Que me chamaram de demasiado:
Que eu sei demasiado 
Que eu sinto demasiado 
Que eu falo demasiado 
Que eu me preocupo demasiado 
Que eu cuido demasiado 
Que eu amo demasiado 
(acho que pus aqui o título errado)

Eles quebraram-me
Eu concordei e me apaguei
Como todas as mulheres fizeram 
Eles entraram-me na cabeça 
E me cercearam
Minaram a minha autoestima 
Dilaceraram-me
Não ser amada por quem devíamos 
É o começo para sermos nada

(tlvz o título fosse melhor "(Demasiado) Espírito")

sábado, novembro 22, 2025

Incêndio

 "O mesmo incêndio que consome é o que ilumina o caminho." - Luna Di

Eu não quero mais arder, entrar em combustão só por ver e acabar em cinza no chão. 

sexta-feira, novembro 21, 2025

 Nem quaisquer deuses jamais souberam.

Fotojornalismo

 Uma visão clara
Um olhar focado
Uma memória de um povo
Um ofício arriscado

Uma edição rara
Um momento no tempo 
Anunciar o novo
Partir na chegada

resumo do estado da coisa

 A sensação que eu tenho é de que durante a pandemia estava um zombie com os lutos e os piores pesadelos todos a concretizarem-se e, depois, com a confusão colectiva toda em que me deixei que me arrastassem, enlouqueci, fiz muito mal também a alguém e a mim, tentei recuperar das razias, enquanto toda a gente morreu toda a hora outra vez e agora já não sei mais o que raio fazer, especialmente perante todas as barbaridades monstruosas a acontecer. 

 Eu sou pelo amor livre... de mim 😅🤦🏽🤷🏽

(qq pessoa fica melhor sem mim, certamente, até provavelmente eu 😅🤦🏽☠️)

Dois dias de Gabriel

 Gabriel em "Far from the maddening crowd'" , Gabriel feito de anjo pelo Keanu Reeves em "Anjo da Sorte", uma mãe a chamar um menino Gabriel, priminho Gabriel Caetano sms e o anjo Gabriel na Anunciação de Da Vinci. 


(Ao menos não é várias vezes ao dia, quase todos os dias, como o outro nome, embora em menor quantidade ultimamente. 🤦🏽💔)

quinta-feira, novembro 20, 2025

O sublime divino

 O sublime divino encontrei raras vezes 
Quase sempre na Natureza 
Como nas obras de Da Vinci
Mas também em ti 
Algumas vezes 
Num êxtase que jamais senti
Como uma criança 
Que vê pela primeira vez
A neve a cair

quarta-feira, novembro 19, 2025

Deceparam os dedos de uma criança

 o mal de ser uma mrda de uma sensível idiota neste mundo é que se torna impossível viver rodeada de violência e horrores impensáveis. querer não existir num mundo assim mas ter de aguentar tudo e mais alguma coisa, especialmente sem ter grande motivo para, é muito difícil. por demasiadas vezes nesta vida eu estive quase a morrer e por muitas mais ainda eu quis morrer. mas estou aqui ainda, dilacerada, esgotada, estropiada, desde que era só uma bebé com bronquite asmática.

hoje voltei a ser aquele corpo minúsculo, frágil, galho quebradiço, embora idiotamente teimoso, de quando era eu a criança de dez anos perseguida por skinheads à volta da escola. 

ser uma pessoa "escura" num mundo de "brancos", também foi das piores coisas que me aconteceu. 

terça-feira, novembro 18, 2025

Tecnocrap

 Até os "lugares nenhuns" estão no maps
Assim como o YouTube põe a pagar 
Tanto quem quer pôr anúncios 
Como quem não os quer ver
Por todo o lado estão sempre a receber 

O Elon Musk tem o Mr. Burns como ídolo
E com o seu complexo de deus 
Ele quer agora tapar-nos o Sol
Na verdade são mas é uns "bunda mole"
Que só sabem pagar para lhes obedecerem
Porque eles mesmo não se mexem 
Nem para se guiarem nem para lucrarem

Os tecnobros frutos do tecnofeudalismo
Pensam que já vivem em tecnocracias
Nada lhes faz frente nas tecno-oligarquias
Têm fome de novidade mas é só vaidade 
E chindogus simulando alegria 
Patrocinados pelos boys and their toys

Vivem no mundo da fantasia 
Porque nunca lidaram com a realidade 
Não sabem o que é ser da periferia 
Nem dos 99% da Humanidade 

segunda-feira, novembro 17, 2025

 Amar com compaixão 
Mas não pena
A pena é um sentimento demasiado leve para se sentir 
Não vale a pena 
Sentir
Libertar tudo e todos 
De tudo e todos 
Ver o tempo desenrolar-se
Estar apenas

domingo, novembro 16, 2025

Às vezes o último verso

 Gosto de últimos versos que destoam
Mas bem feitos e contudentes
Mesmo quando aparentam dissonância 
São fechos mais-que-perfeitos
Porque não são realizados 
São só como espadas: desembainhados

O deserto e a miragem

 O deserto produz grandes miragens 
Tu foste a maior delas
Fazer malabarismo com dentes-de-leão
Faz perder todos os sonhos 
Acordar com desesperanças
Ter pesadelos medonhos
Enquanto se brinca com crianças 
Que não estiveram no deserto
E o sol árido torna-se gelo queimante
Eu sei que tu sabes dos meninos 
E não consegues enfrentar-te

O deserto é fértil em alucinações 
Porque se pensa que há recompensa 
Que há um oásis de água límpida 
À espera de quem sequioso o atravessa  
Mas não, só a mente é se enganou
O corpo continua a travessia só 
Vislumbrando o inferno vez em quando 
Sabes que nunca ninguém o ganhou?

sexta-feira, novembro 14, 2025

Do tempo

"O tempo não passa, ele chega", diziam os Maias. Na verdade, o Tempo é um suspiro que ninguém deu. Tudo o que existe não tem tempo; já aconteceu. 

quinta-feira, novembro 13, 2025

Ilusão

 A ilusão é vidro grosso 
que se estilhaçou
em mil pedaços 
e ficaram só os cacos
do que nunca se chegou a ser

segunda-feira, novembro 10, 2025

 Não se escuta com a boca
Não se vê com as mãos 
A vida só é vivida
Se sentires cada senão

Só nós dois

 Fala comigo como se nunca nos tivéssemos largado
Nem apartado dos lábios teus
Acolhe-me, sê gentil
Guarda-me no teu abraço 
Mil vezes mil
Somos felizes num instante eterno
Eu e tu longe de qualquer inferno 
Faz-nos seguros de novo
Só eu e tu sem qualquer povo
Que nos possa interromper 
A pureza da poesia de ser feliz 

sexta-feira, novembro 07, 2025

 Só quem perdeu tudo e o grande amor da sua vida é que sabe a dor que eu sempre carreguei. 

O coração desolado

 É uma dor que alguém me possa ter amado mais e melhor do que tu
Que haja alguém que me possa tratar com mais carinho 
Mas agora que as searas foram cortadas e a minha nostalgia está ainda mais desoladora
E a lua está cheia pela última vez
Antes que retorne a minha morte e o meu insuportável inferno 
Eu recordo-te como alguém que eu amei todos os dias 
Perante o silêncio, a dor e as alegrias 

quinta-feira, novembro 06, 2025

A mais longa trovoada

 Talvez estivesse à espera que as trovoadas me alterassem os telómeros, ou assim, como acontece nas histórias de super-heróis e que eu passasse a estar curada de todas as maleitas, de repente. 

Mas as trovoadas não são milagres, nem são conhecidas por fazerem boas acções.

Os sonhos envelhecem, as ilusões viram pó e os contos de fadas são só pesadelos. 


(tempestade registaram mais de 40mil raios)

A seiva da vida

 Tu eras a minha alegria 
Doce canto e paz no ar
Tu eras a euforia 
De que eu não fui capaz 
E foste tu quem me deu vida
Ao me tomares como valiosa 
Ao me enalteceres preciosa
Fazendo-me ser amada 
E querida por me tomares
Como eu podia ser então 
Esforçando-me tanto
Para estar junto de ti
Eu fui luz escondida 
Que a todos iluminava
Com a minha paixão 
E atenção por cada um
Interessar-me sempre foi sina
Eu não sei quem eu fui
Mas sei que amei demais 
O mundo inteiro 
E tu estavas lá 
Sempre em primeiro 

O tormento

 Quem ou o quê culpar

Quando em situações extraordinárias 

Em que estamos perdidos de nós 

Tornamo-nos loucos

Uns pelos outros e por nós mesmos

Eu não sei quem ou o quê 

Na sucessão dos porquês 

Ele, o meu tormento

Eu, o tormento dele

Eu só queria o fim

Ele nunca me quis a mim

Nenhum de nós aguentou mais

O destruir e a confusão 

Que o amor e a paixão trazem 


("my cousin Rachel" and us)

quarta-feira, novembro 05, 2025

Nada aqui é bom

 Talvez sejamos feitos de Júpiter 
dos pedaços que vieram do céu 
mas nunca seremos grande coisa
porque nada aqui é só bom 

terça-feira, novembro 04, 2025

 Gosto das tuas imensidões:
como eras belo
delicado e incisivo
o toque de um cavalo terno
o teu olhar de oceano 
e o teu cérebro de universo 

penas finas alvas minhas
tocaram-te um dia
fui fiel como um apóstolo 
e eu a rainha do teu reino
e tu sabias o nosso lugar

o luxo de ser amado
simplesmente por que se é
pela imensidão de quem se é

o desejo dos homens é comum
não faz distinções 
não se rende a imensidões 
não se deixa engolir por elas

eu só quero agora um amor 
que seja uma final consumição 

(Elizabeth e Clive Owen de novo)

Indochina

 Amei-o como se ama pela primeira vez 
Com a febre da paixão inesperada 
Que nos toma e nos arrasa
E que não deixa nada em pé 

A urgência de estar perto 
A necessidade de o ver
Igual à necessidade de o ter
E eu sempre a amá-lo
Com o meu peito aberto

Por saber que não o teria 
Por saber que não o veria
Sofri como uma condenada
Numa eternidade amaldiçoada 

Às vezes penso em nós a sós 
Obrigados pela guerra
A fugirmos para um lugar remoto
Perdidos da Humanidade 
Náufragos em Ha Long labirinto




segunda-feira, novembro 03, 2025

 A presunção de quererem preservar coisas efémeras, uma teimosia, um nervosismo, um arriscar... fútil, violento, nauseante. 

domingo, novembro 02, 2025

 Talvez eles estejam todos mortos 
e esqueceram de me contar 
como fizeram com o meu tio
 Deixa-te de coisas 
Tu sabes exactamente o que eu sinto
E é tudo por isso 

Plutão ou quê

 Tu absorveste-me
E o feitiço que te puseram
E a maldição que me rogaram
Fundiram-se 
Aquando Plutão 
Que ora é planeta anão 
Ora é solidão 

O que uma coisa tem a ver com outra, nds.🤷🏽(maybe it's all his)

 Tudo o que escrevo é tão no momento que às vezes até parece que escrevo a verdade sobre o que sinto. Mas nunca é inteiramente assim, há sempre muito mais por detrás, que não cabe em mim nem aqui. 

Sofrer por pessoas alheias é das piores sensações físicas que tenho, mesmo tendo ainda às vezes sintomas do problema de sangue, ou o da insuficiência suprarrenal. 

Eu sabia que ias ficar bem, L., e ainda assim também foi um dos factores que me fez cair de novo na depressão. Mas estou a melhorar e tu também. 💌


O esquecido

 Certo dia, parei de ser sempre eu a dizer alguma coisa a alguém, a lembrar-me sempre das pessoas, a associá-las a tantas coisas... e, de repente, nunca mais tive contacto com ninguém, porque a verdade é que ninguém se lembrava de mim. Mesmo se houvesse alguém que se lembrasse não passava de duas vezes num ano e também nunca diziam nada. 

O Pedro Oliveira estava errado. Afinal era eu quem estava certa nestes anos todos. Finalmente, agora que vejo o meu valor, consigo ver tantas outras coisas incríveis que eu sempre fui e que foram pisadas e invejadas por tanta gente. 

Eles são "o esquecido", eu nunca me esqueci, mas hoje em dia não me lembro mais.

sábado, novembro 01, 2025

 A vida é morte adiada
Um talvez, ou um quase
Um tudo ou nada
A tua música 
Que me viciava
O teu amor 
Que me enganava
Pensar que foi só uma fase
E depois só dor
E mágoa

sexta-feira, outubro 31, 2025

Ela sabe?

 Ela sabe onde começa o teu lábio superior e que os teus olhos sempre denunciam as tuas emoções antes mesmo?

Ela sabe para onde pende o caracol do teu cabelo e como é o teu corpo inteiro?

Ela sabe por onde passeia o teu olhar e como te emocionas sem chorar?

Ela sabe o valor que dás ao dinheiro e à vida que queres levar?

quinta-feira, outubro 30, 2025

As tuas cores

 É quando chove
Que sinto falta 
Do arco-íris do teu sorriso 
E das aguarelas do teu olhar 

É quando adormeço 
Que sinto na pele
O calor do pôr-do-sol
Naquele laranja doce
Do teu rosto

É quando sonho
Olhando o céu
Seja Verão ou Inverno 
Que sinto o azul
Que tens na alma

Mas é quando vivo
Que o teu vermelho 
Do meu sangue inteiro 
Irradia do coração para o ar

Dança de frutas

 Comprei umas tangerinas e dizia que se chamavam Tango, e um mamão em que se lia que era do Brasil e veio por avião, pensei logo que tinha vindo sambando. Vi ainda abacate Hass e trouxe dois, com o objectivo de fazer guacamole com um e como vi que eram do Perú e já antes tinha pensado em ti, não tardou que lembrasse do Vuelvo al Sur. Comprámos ainda banana bolero e maçã gala e dançámos, dançámos. Tu foste depois a última fruta que ainda fui de novo lá para comprar: o 'cantaloupe'. ;) 

Da practicidade do bom senso

 As pessoas só tinham de se deixar de cenas e juntarem todos em torno das soluções de senso comum. O bom senso é simples, as pessoas é que, sendo medrosas, traumatizadas, gananciosas, egotistas, condicionadas e iludidas,, tornam quase tudo incomportável. 

Essa ideia de que se derem aos outros, vão tirar do meu, ou vai faltar para mim, é das maiores crenças ignorantes fundadas em medos irracionais, que existe. 

Ser Humano Podre

Toda a hora neste Mundo há quem cometa actos nojentos que vão desde violar e assassinar bebés até a canibalismo, passando pela cobarde exploração e lucro com a desgraça e necessidade alheia, entre tantas outras barbaridades hediondas.

Factualmente não há nada de divino nesta podre criatura, essa é que é essa. Não há nada de deus nem de diabo, só a merda que ele é, seja na sua composição de milhões de micróbios, germes e bactérias, seja no esterco que carrega na sua mente. 

Coração

 Percebes-te no coração 
Primordial corolário 
Esse órgão do teu corpo
Que toca no teu templo
Longas sensações 
E breve pulsação 
E pensas que é o contrário 
Que ele está há muito morto
E de tão vazio passa lá um vento
Dentro dele onde houve monções 
Alagando todo o teu chão 
Mas a verdade é que nunca tiveste
Cérebro que não fosse coração 

quarta-feira, outubro 29, 2025

Nunca Rio, só choro

 "Seguimos" de horror em horror
de hedonismo em hedonismo 
cantam a tristeza sorrindo
cantam a alegria bulindo
todos os dias esse é o disco 
que não vira e toca o mesmo 
os meninos desprotegidos
cobertos de sangue por "senhores"
que caçam inocentes aflitos 
com balas cegas a esmo 
às ordens de assassinos "doutores"
e ouvem-se tiros e gritos
as mães são abatidas
os filhos são feridos 
calam-se as rimas
e só ficam os gemidos 
de uma dor ancestral e gutural
de um choro que não é sincopado
e só conhece o som do fuzil descompassado.



[ mais um massacre no Rio de Janeiro ;(. ]

segunda-feira, outubro 27, 2025

"E depois matar-te e dar-te vida eterna"

Eu fiz isso contigo, não fiz?
Clamei-te aos céus 
Deifiquei-te
Elevei-te às alturas 
Depois deixei-te cair
Para que nos tornasses
Imortais 

 *título é verso de poema "Rêve Oublié" de António Maria Lisboa 

 alguma iluminação 
é consciência do abismo

pouca coisa tens
se não tens um amigo 

alguém verdadeiro 
como aqueles anjos negros 

são os que caem
lá do alto puro céu 

são os que mergulham
sem reservas no breu

 Dá-me dó

Que as pessoas não sejam elas

Que nem sejam nada de seu

Até eu que tenho por alma um abismo

Onde às vezes brilha o céu

Outras vezes um sofismo

Sei minimamente ser apenas

Sem máscaras nem subterfúgios 

Mas tenho pena de quem vive no breu

De não só não se conhecer

Mas também ser só como o outro 

Ou como o outro quer 

Ou esperam que sejam 

domingo, outubro 26, 2025

sábado, outubro 25, 2025

O que é que ser português afinal quer dizer para ti?

 Numa altura em que se fala muito sobre o que é ser português, quem é que pode ser considerado como tal e quem tem esse direito, a realidade é que qualquer definição que se faça é sempre pessoal e, portanto, subjectiva. Já em termos legais, sabendo-se que um dos preceitos da constitucionalidade e jurisdição é amplamente formulada precisamente pelas pessoas de direito numa senda de legislar o que existe, pergunto-me se algum dia ter alma de um certo povo bastaria para todos para que fosse considerado como membro dele. Sei que não. Se alma existe, sei que não é só idílica, também é podre. 

Podia dizer que o meu país é mormente o Alentejo; nesse gharb al-andalus e literalmente também, além tejo, ultra tagum. Podia dizer que a alma portuguesa é saudosista e tantas outras coisas sobre ser português, como no livro 'O labirinto da saudade' de Eduardo Lourenço epítome, ou em tantos outros históricos. Mas eu sou só poeta, portuguesa e cidadã neste planeta e das poucas coisas em que acredito - porque não existem totalmente e por isso é preciso crer nelas e lutar, em certa maneira, por elas -, no topo, está a liberdade e com ela a responsabilidade de respeitar o próximo naquilo que ele quer ser, acreditando inclusive quando ele nos mostra que é uma besta infinita. 

(escrevi no insta qd fiz reels e pus música da Carminho Balada do país que dói)

quinta-feira, outubro 23, 2025

Pelamordedeus!

 Eles dizem que há um só Deus
E há outros para quem há vários 
E que para eles nada é impossível 
E todos parecem sexagenários
Eu nunca vi os de barbas
Sentados num trono imponente 
Também não vi aquelas carpas
Que significam equilíbrio no Oriente 
Muitos também se prostram de gatas
Perante os seus ídolos no Ocidente 

Ainda há os que deificam a Natureza 
Ou apenas os animais não-humanos
Ou mesmo só deuses antropomórficos
Outros têm ainda no vento a sua leveza
E nas tempestades abrem pórticos 
Para mundos onde não há enganos
E acho que antigamente havia deusas
Que eram em maior número que eles
Homens medrosos fáceis presas
Incapazes de criarem a verdade neles



terça-feira, outubro 21, 2025

Reflexão derradeira

 Podemos sobreviver a toda esta porcaria?
"Sim, claro, sempre o fizemos"
Não, não desta vez 
Desta vez é como a podridão esclavagista 
E Hiroshima e Nagasaki 
E os campos de concentração nazis
É daqueles eventos da Humanidade 
Em que se perdeu toda a humanidade 
E se abriram valas comuns a céu aberto 

Eu não consigo tirar a dor no estômago 
A úlcera na alma sangra ainda
De toda essa porcaria 

Da mesma forma 
Que as pessoas que mais amei
E que mais me desprezaram
Irreversivelmente me mancharam
Não há nada que apague essa história 
Não há nada que nos dê verdadeira glória 

terça-feira, outubro 14, 2025

o barco vai

 ... houve momentos em que te amei com uma doce ternura suspensa, como a que soa na primeira sinfonia de brahms.

nenhuma das tuas maldições pode eliminar isso, mas sei que o tempo sim. 

quando me lias, ouvias a minha voz? 

será que os pássaros ainda podem falar por ti? 

só a dor e a mágoa nos fazem aprender, de uma vez por todas, a pôr limites e deixar quem nos faz mal. saiu-me bastante caro impor-te essa lição. rasguei completamente o meu coração. mas eu só existi ali, naqueles momentos, para a servidão. 

mudei tanto, entretanto, pois umas trinta vidas processei. não sinto nada do que sentia pelos que senti toda uma vida. já nada, de novo, tem lugar. nem a morte a aguardar. 

"o tempo vem, o tempo vai", um classicismo mesmo com o experimentalismo. 

uma solitude absoluta de mais de doze anos e ainda não sei de nada nem me interessa saber. este vazio foi almejado. o fim da intelectualidade. sem o início de mais nada. 

domingo, outubro 12, 2025

 Ao mesmo tempo que tenho medo de ti
Um pavor, um terror, que toma conta de mim
Também te adoro e te amo como és
Porque apesar de sermos torpes, 
Cruéis e mais do que infiéis 
Não há um mundo mais lindo 
Que o que nós dois somos juntos
 Se a coisa mais bonita 
Vi quando tinha os olhos fechados 
Talvez os olhos da mente
Nessa imaginação contente
Sejam só o que preciso
Para te ver completamente 
O teu balançar e o teu riso
O teu corpo meu abrigo

O ideal

 O ideal é alguém que seja para mim a sexta-feira e o domingo, sendo que o meu dia preferido da semana é a quarta-feira. 

Dual

 Se ele voltasse
Com a minha cura
Seria
Porque ele é
O único 
Cujo tambor 
Bate ao ritmo
Do meu coração 

Ele nunca me abraçou 
Nunca veio até mim
Nunca me levou
Para esse amor sem fim
Mas no dia em que vier
Teremos o nosso momento 
Finalmente 
Com que tanto sonhámos

sexta-feira, outubro 10, 2025

 Morrendo de amor, vivi. 

Azul

 "Conheces o azul da tua alma?", 
perguntou-me ela antes de saber
que eu andava de alma esvaziada
sem saber se tinha tom de mar ou de céu
ou de noite escura estrelada

"Sempre foste azul", lembrou-me
confesso que me esqueci do livro 
que quis escrever com esse título 
mas sei que fui outrora corvo-azul
e toda eu azul de dentro para fora



Uma alma

 Quando voltares com a alma inteira, talvez já eu saiba, por essa altura, o que é alma e que ela existe mesmo. Talvez, então, eu já entenda absolutamente o que é isso de que Platão falava de "uma alma em dois corpos". Talvez eu aí tenha, entretanto, ultrapassado as noções que tive quando era jovem e de forma pueril pensava que tinha uma alma gémea, ou um irmão ou amizade de almas. Ou talvez não. Talvez eu sinta que sempre foste tu a tal da minha alma gémea, igualzinho a mim, sem me identificar, mas sabendo sempre que estamos ligados de forma indissociável: siameses, como fomos um dia. 

As nossas completas devastações, a nossa resignada apatia, talvez encontrem umas nas outras uma paz integral, como se ligassem um círculo preenchido por um nada cabal e ilimitado, que tem a força da explosão de mil sóis. 

Eu nunca quis abrir mão de ti. Eu nunca abri totalmente, pois não? É, por isso, também que não voltas mais. O meu querer nunca significou nada. O meu sentimento também não. Tu não quiseste saber, porque eu era demais e nada. Quando na verdade eu gostava que me escolhesses como teu tudo. Mas só quem me sente como seu tudo é que nem precisa escolher. Quando é maior, ninguém pode reter. 

Se eu fui só verdade, como fui, criança que ama sem mais nada ter, talvez eu seja só uma alma a valer. 

quinta-feira, outubro 09, 2025

Onde estás tu agora?

 Na sombra do teu cabelo 
Vejo a Lua
E a tua barba que tanto gosto
De ver assim desenhada

Meu amor de alma inteiro
Minha vida tão acabada
Levo-te comigo dentro
A tua eterna apaixonada 

Nas tuas mãos o meu medo
A mais bela aparição 
O tom do meu segredo 
Esse amor de paixão 

A falta que sinto de ti
Só se equipara ao vazio
Que deixaste em mim
Meu mar, eu já não rio

Uma viagem horrível e maravilhosa

 Talvez tenha tatuado a tua sombra 
Em meu peito para te guardar no coração 
Sei que nada foi de jeito e que já nada tem grande solução 
Mas continuo a ver-te de repente 
No filme e na canção 
No chilrear de um pássaro 
Na borboleta que veio
Quando pedi por ti e olhei o céu

terça-feira, outubro 07, 2025

Estátua

 Petrifiquei-te numa imagem. Fui querendo ver se eras mesmo assim, ou da minha nente somente uma viagem. Aconteceu seres sempre uma miragem. A mais esperada. Meu oásis de um pedaço de água embriagada. 

Chorei um dia, mais, muito depois, já tarde. A poeira de que nos fizemos, a densa neblina que esperei que a aurora mais aguardada rompesse, a geada, não chegou, esse momento tão ansiado mas não almejado, não chegou. 

O teu corpo continua etéreo, um vulto sem qualquer detalhe. O teu rosto também mas mais sorridente, por raras vezes. Eu sinto o vazio que nos preenche. Somos repletos por eles, esses vazios consonantes. A inutilidade do meu ser com a ilusão do teu ser. 

Assomámos uma realidade decrépita, umas ruínas espalmadas no châo. Sobrou só pó. Tu gozaste até com a minha própria língua, com as palavras de amor, com o sentimento profundo, com a dor. 

Às vezes pergunto para ter a certeza que não exististe. Às vezes o céu responde-me com as aves, as borboletas e a Lua, quase sempre ela a acompanhar-me como tu. É a luz reflectida do luar que ilumina a tua estátua na minha memória. O Sol não. 

Dentro do meu peito

 Meu peito partiu em mil pedaços 
Fiz deles milhares de poemas e canções 
Bebidos provados por mil escanções 
Ficaram cá dentro ligados por laços


Foste

 Tu foste o meu "não" mais perfeito 
O meu erro mais inteiro 
O único que me deixou louco 
Pondo a minha vida em contramão 

Foste as auroras mais esperançosas
E as maldições mais odiosas
Tu foste da ternura o encanto
E da saudade o espanto

E de todas as canções maravilhosas 
Tu destroçaste-me com teu canto
E troçaste de mim como ninguém 

Foste tu quem me insultou em tudo
Do que eu fui e do que eu sou
Pisoteaste o meu coração 
Quase tanto quanto quem me amou

Foste o meu amor maior que nunca abracei.

Mundo ao contrário

 Decapitam crianças e mulheres grávidas 
E deixam viver os homens sem cabeça 
Nenhum hasteou a bandeira pela Jane
Mas fizeram-no para um extremista do ódio
Armado em deturpado Tarzan 
E prendem pacifistas idosos
Mas deixam genocidas subir ao palanque 
Com os seus amigos psicopatas a passear
Livres que nem passarinhos 
Enquanto reais aves já não têm sequer o ar

As pessoas divertem-se e lucram com o caos
Envenenam os seus próprios chãos 
Destroem a sua única casa
E na comida e no corpo põem plásticos 
Seguem influências sem pensar por si
Negam evidências sem estarem nem aí 
E como me disse a bartender angustiada
Num semblante e discurso melancólico 
Assemelhando-se a uma Morticia
"as pessoas bebem por razões más:
escapismo, fuga de enfrentar problemas"
E essa é uma droga legalizada
Num Mundo em que quem faz o bem
É preso, visto como perigoso e terrorista 
E quem faz o mal lucra e é vangloriado

sexta-feira, outubro 03, 2025

 Não sei aonde é que vamos parar
Sei que não te amei assim como tu
Que nunca me amaste 
Porque não és capaz de amar ninguém 
És como a maioria das pessoas 
Que só pensa em si mesmo 
E não tem outros como prioridade 
Como se uma coisa impedisse a outra
Sim, só na vossa incapacidade é assim
Não sabem nem são capazes de amar
Fazem piores acções para se desculpabilizar
Não tendo sequer noção do que fazem

Cansei-me de dar "murro em ponta de faca"
Leva tu a taça 🥂 
(Seus alcoólatras nojentos e cobardes)

Para te amar

 Para te amar
regressei a uma parte de mim
que me fez ir mais além 
a uma criança tão afim
que só fez vibrar
tudo o que era o bem

Para te amar 
tão puro no sentimento 
fui fluindo com tudo
fui terno a cada momento 
só para chegar 
a um vazio som mudo

Para te amar 
tive de enfrentar tempestades 
nunca me confudiram tanto
e até me fez chorar 
não só por verdades
mas por muito espanto

Para te amar 
tive de percorrer o deserto 
a noite mais escura da alma
a madrugada de cristal
até saiu-me um clamar
para tirar de mim o mal

quinta-feira, outubro 02, 2025

Anti-filosofias da treta

 Agora vou ser contra ser forte
E a favor de terem medo da morte 
Contra serem focados em objectivos 
E serem concentrados nos amigos 
E em não destruir o próprio abrigo

Vou parar de acreditar que consigo 
Tudo a que me proponho de sonho
E que a práctica faz a perfeição 
Que os outros é que têm razão 
E ouvi-los é aprender o importante 

Eu vou mas é ser visto como mendigo 
Um vagabundo que anda pelas ruas
Vou escapar da demente rotina
Que finjo que não estou em desatino

Olha só a revolução que vou fazer 
Quando deixar de inventar 
Que está um deus de serviço 
Só para eu não ter de me responsabilizar 

terça-feira, setembro 30, 2025

 Do que eu sinto falta 
É do sossego que tínhamos 
Como na tua foto de rosto
Banhado pelo pôr-do-sol
Da beleza que não há igual 
Da serenidade triste
Da pintura de Rothko
Da melancolia que existe 
E de um cheiro doce no ar
Até se for de bolo instantâneo 
Daqueles da Dr. Oetker 
Eu agora surpreendentemente 
Também sou mais bolos
Como sempre dizem dos velhos 
Mas sei que é do cheiro de figo
A lembrar um Verão morno
De que tenho saudades 

Tu foste as minhas 4 estações 
E agora aqui é de novo Outono

segunda-feira, setembro 29, 2025

 Mulheres sobrecarregadas

Homens desesperados 

Crianças solitárias

Humanidade-gados

E eu só peço desculpas

 O amor não teve medida
Não teve limites 
A dor foi desmedida
Tu apenas te riste.


Um lento esquecimento

 Tinha pedido ao vento 
Que levasse o teu nome
Que se entranhou em mim
Mas tanta é a fome
De te ter perto 
Que não há tanto vento assim 

 Primeiro veio a compaixão 
Profunda e alargada
Depois o amor
Que era tudo
E reduziu tudo a nada

domingo, setembro 28, 2025

 Há sempre uma razão 
Para as pessoas serem como são 
Só que da maioria vezes
Não é nada boa a justificação 

sábado, setembro 27, 2025

Lutas vãs

 Tentar que alguém saiba
O que é algo que nunca viu 
Ou que nunca sentiu
Nem pode ver 
Porque não têm esses olhos 
Ou que oiça 
Que escute e entenda 
Mesmo sabendo que é surdo
Ou fale e expresse
Mesmo sendo mudo

Os argumentos contra os factos 

Que peça perdão pelo que pecou
Como, se nunca admitiu o que lesou?

Que deixe de ser umbiguista
Quando é tudo o que conhece
E está bastante confortável 
Pois acha que tudo merece

Que páre e veja que existe mundo 
Galáxias, as estrelas e os planetas
Que faça realmente parte
Da Humanidade 
Para melhorar tudo ao redor 

Que todos os dias se transforme
Abra a mente, expanda os horizontes 
Que seja maior do que o amor

sexta-feira, setembro 26, 2025

Tu/Eu

 A tua complexidade e doçura assemelham-se ao licor de bolota que só depois de te inundar a boca de mel te lembra do travo forte e profundo com um toque seco de castanha. 

Tu pertences a uma categoria rara de flores e frutos silvestres. Talvez sejas a última da espécie em extinção. Talvez já ninguém mais tenha um selvagem, doce e livre coração.

Os pássaros soam mais alto quando tu estás por perto e o vento acompanha a tua fúria, porque tu és senhora tempestade e serenidade. Tu és quem encheu a lua de ternura e brandura, quem deu ao mar a sua majestade. Tu és a pura felicidade de ser e perceber. 

Só tu alcanças a explosão do fascínio do maravilhamento sem euforia, somente absoluta contemplação. 

O céu é o teu melhor amigo e o amor da tua vida fui eu. 

quinta-feira, setembro 25, 2025

 Uma flor que mudasse de nome teria o mesmo cheiro e manteria a mesma essência, mas eu não.

Eu fui um espinho uma vez e isso mudou-me para sempre. 

À flor da pele

 Hoje lacrimejei no supermercado quando uma senhora muçulmana com máscara e com um casal de filhos pequenos teve o seu cartão de débito recusado, mas a senhora que estava a seguir pagou os poucos artigos para que as crianças pudessem comer. Eu também me cheguei à frente, claro, com a intenção de pagar. Depois, simplesmente agradeci à outra senhora por tê-lo feito. Só depois é que eu me lembrei que não tinha o meu cartão e quem tinha o dinheiro e estava na fila era o meu pai, porque eu tinha ido à casa-de-banho e vi esta cena acontecer na saída da caixa. A menina criança fez-me lembrar de mim quando eu era pequenina, muito parecida com ela. O menino depois perguntava se podia levar a comida, eu disse que sim e peguei um pacote de leite e dei-lhe.

E, claro, depois quando a senhora que pagou ia embora também pensei em como no meu tempo não havia gente bondosa assim. Obviamente havia lembrado, antes mesmo, de Gaza. E como o mundo consegue ser horrível. Deu para ver quanto estou à flor da pele. Senti que se não parasse as lágrimas enquanto me corriam mais, era bem capaz de ter ali mesmo um desaguar imparável.

Quem nunca passou fome, não sabe o que é essa dor maior que não só perfura o estômago, mas a alma e o coração.

quarta-feira, setembro 17, 2025

 Estás exausto? "Descansa", dizem.

Não consegues descansar? Um dia, o corpo há-de parar. E a mente? Essa há-de fritar até esturricar, ou liquefazer-se. Explosão, combustão, falta de combustível, curto-circuito, acumulação, congelamento, depressão, esgotamento, inacção. 

"Tu mereces tudo do melhor, quem te ame e todo sucesso do mundo, desejo que sejas muito feliz", mas - atenção - não contes comigo para nada, especialmente quando precisares. 

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Eu tive um professor que me dizia, certo dia, que as pessoas, a sociedade, o mundo, são uma fossa séptica a céu aberto. Apesar de ele me achar uma pessoa extremamente lúcida, eu devia ter-lhe dito que eu não guardo ressentimentos das pessoas, apesar de acumular traumas perpetrados em mim por elas e que continuo sempre a amar até os meus piores inimigos. Muitos acham que eu sou totó assim, mas entretanto gosto mais de mim. 

domingo, setembro 14, 2025

Hermetismo

Olho tanto para o céu 
Lá reside a esperança 
E porque falo com as aves
Tenho medo do breu

Não sei os acordes
As partituras, as oitavas
Mas sei o som que fazes
Quando me mordes
Tiras-me um pedaço 
Do meu coração 

Sei como ele batia por ti
O seu som desenfreado 
Hoje voltei a não dormir 
Recordando o amor danado

Pedra que no rio medra
E toca o som do entrave
Que impede o fluir 
O soltar da mágoa 
Só te quis ver sorrir
Quando te dei água 

Se houver alguém 
Algum dia
Que me ame como te amo
Sabendo quem eu sou
O destroço que ficou
Que me leia eu poesia
Na música que tocou
Deus sabe o que eu daria

(rip Hermeto Pascoal)


 Sou o nevoeiro que restou
Depois da tua neblina 
Que em mim se acumulou
Quando a tua voz emudeceu
Na névoa do meu céu 

Essa dor que se espalhou 
Como um tesouro numa mina
Que alguém arrombou
E explodiu dolente 
Não é objecto nem gente

sexta-feira, setembro 12, 2025

Setembro

 44 anos de inverno 
mas não deixes que as lições 
sejam apenas de canções 
arrependimentos e ilusões 
e esmiuça o teu interno
antes de embarcares em acções 
de que te podes arrepender 
para o resto da tua vida

neste período de outono 
de folhas amarelecidas 
caídas no chão que pisas
desejo que o ar te dê o sono
que é o que tu tanto precisas 

setembro é o teu nome 
viagem é o teu sonho
de searas florescidas 
ou mergulhar na água 
que ainda está aquecida
lavar essa mágoa 
de quem tem fome
e só viu a despedida 

Desconheço

 Há tanta coisa
Que tu e eu
Não sabemos 
E temos por certo
O que lemos 
Como Tomé
O que vemos
Da letra o pé
Nem apuramos 

Pois aprumemos
Para nos afinarmos
E questionarmos
Tudo o que sabemos 

Senão qualquer dia
Vamos já é tarde
De nos arrependermos
De tudo desconhecermos
Nas suas origens 

Histórias são complexas
O Mundo anda às avessas
As pessoas lêem às pressas 
Todos em vertigens 
E eu já não os conheço 


 Disseste para eu nunca parar de escrever 
Brigaste um bocado a brincar por mim
Disseste que eu era bonita de se ver
Que tinha um corpo afim
E que gostavas do meu cabelo cinzento 
Que era bonito assim
E não acreditavas na minha idade
Perguntaste se de outro tinha saudade
Eu gostei logo de ti mal te vi
Meio alheado bebido trocado
Lá em cima e cá em baixo 
Com as rimas improvisadas para mim
Chegando mesmo na minha cara
Emocionaste-me 
Com o teu sonho igual ao meu
Ambos bastante perdidos
Eu mais no breu
Mas tu eras solarengo
Puro bronze e mulherengo 
Mas feminista, atenção 
Dizias tu que eras bom irmão 
E que também me protegerias
Eu acreditei nessa doce ilusão 
Até vocês me dizerem porcaria
E terem-me deixado na mão 

Sem ti

 Sem ti
Noite virou dia
Dia escuridão 
Não há mais alegria 
Pesa o coração 

Sem ti
Cometas passaram
Mas eu não vi
Estrelas brilharam 
Nem me apercebi 

Sem ti
Nunca mais ri
Nunca mais te li
Nunca mais te ouvi 
Nunca mais te vi

quinta-feira, setembro 11, 2025

Fazer Poesia

 Um dia 
Uma senhora 
Disse que dei alegria 
Outra sentiu-se
Vingada
Outra teve paz
Um senhor 
Disse
Que a sua alma sorriu
Outros tantos choraram
Isto tudo 
Só com a minha poesia

quarta-feira, setembro 10, 2025

O espaço entre as coisas

 O espaço entre as coisas 
É como um corredor 
Que há do silêncio ao som
Da escuridão à luz
De um falhanço ao outro 
Do tédio ao que seduz
De um sucesso ao outro
É uma espécie de amor
Um flutuar suspenso
Movimento até ao dom
É como o toque que saltou
Entre duas batidas 
Agulha que no disco derrapou
Ausência que deslizou
Entre a chegada e a despedida 

terça-feira, setembro 09, 2025

Coisas de que desisto a partir de hoje

 A vida toda eu quis ter um amigo que fosse como um irmão mais velho para mim, que me protegesse e acarinhasse de uma forma saudável. Infelizmente, depois de décadas, tenho de me render à evidência de que nenhum rapaz consegue ser amigo assim de uma rapariga sem ficar com outras ideias e complicar tudo. Admitir que já não tenho essa necessidade que acabou por me pôr em alhadas, hoje é muito bom e liberta-me de todas essas complicações. 

Também desisto finalmente de me preocupar com a saúde dos outros, especialmente feliz por isso já que nem os próprios foram alguma vez capaz de o fazer cabalmente. Inclusive desisto inteiramente de tentar entender pessoas bêbedas.

Tendo desistido de relações amorosas há mais de 12 anos, hoje eu decido conscientemente desistir também de toda a ideia do amor de que sempre fui tão apologista. 

Chegou finalmente o dia de encarar a realidade e deixar de ser a poeta romântica iludida. 

O amor não existe, afinal. Nenhum, em forma alguma. Porque não é possível enquanto substantivo independente.

 Parece mesmo que o ser humano só foi feito para contar nascimentos e mortes, e viver tudo do entremeio zombificado. 

domingo, setembro 07, 2025

Nunca houve um amor como o nosso

 Aos domingos bolero 
E a nossa última noite 
Nunca existiu mi amor
Porque Sol e Lua
Estão condenados
À eternidade 
Juntos e separados 
Vindo em auxílio 
Da nossa alma penada
E do nosso coração partido 

Acercate um poquito más
Vuelvo al Sur

Esclarecimentos de um coração partido

Desisti de escrever isto, porque era muita coisa para revisitar e esmiuçar. Mas começou por ter pensado que se eu tive vontade de morrer quando aos 17 anos fui traída pelo primeiro grande amor, ele deve ter sido quem eu mais amei. Só que depois pus-me a avaliar que a capacidade, intensidade ou a forma de sentirmos amor vai variando com a idade e com os acontecimentos. Daí que também isso faz com que seja mais difícil quantificar seja o que for. Até porque a maneira como fiquei tão agarrada/dependente há poucos anos a alguém também me fez pensar que tinha sido a pessoa que eu tinha sentido um sentimento tão forte que seria, independentemente do carácter esfomeado e hiperactivo dadas as circunstâncias agravadas do tempo pandémico, um amor maior do que tudo. 

Bem, a verdade é que tudo serviu para eu me melhorar e aprender o que não é saudável e o que é, o que é amor possível e não é. 

Eu sempre fui destinada a estar sozinha e ser abandonada. (tal como disse a Margot Robbie num trailer de um filme que já quero ver)

Eclipse

 E dezenas de luas cheias e eclipses não te eclipsam do meu coração e agora que tudo piora à minha volta e um dos meus piores traumas é mais uma vez activado e volta a vontade de morrer, é só em ti que eu penso. O meu maior arrependimento. A seguir a ter continuado viva desde criança violentada. Quando te disse que nada em mim é bom, parece que exagerei mesmo como disseste, posso estar de facto podre por dentro mas foi sim verdadeiro e bom naquele pedaço todo por ti e pelo resto o meu sentimento. Dos melhores (e piores para mim ao nível de desgaste físico) que já tive. Nunca nada apagará isso, pois é facto ocorrido. Só esse amor é real. 

Das coisas mais difíceis

 Das coisas mais difíceis para mim é ter de me afastar de propósito de quem gosto só por causa do bem deles e os poupar a terem de sofrer. Desta vez, éramos três amigos, pensei eu, mas pelos vistos não. Pior que eu queria muito que continuassem a ser meus amigos. Parece que é uma sina idiota. Porque é que eu não posso ter um amigo que não passe a querer ser mais do que isso? De preferência que só um que goste de mim e eu dele e não os dois?

Tudo isto suscitou a que examinasse casos no passado e de facto já tinha acontecido pelo menos umas três vezes antes na minha vida: dois amigos/primos/tipo irmãos passarem em pouco tempo a gostarem de mim mais do que era suposto. Sempre complicado. Fico sempre surpresa e chateada, depois confusa e triste, por também ter de os deixar. Inclusive porque eu fico sozinha sem nenhum dos amigos. Ainda se espantam porque é que eu estou completamente celibatária há mais de doze anos. Pudera! Quando me aparece alguém é só gente complicada, incrivelmente pior do que eu no que era necessário para se ter uma relação, embora eu não tenha também grandes condições para nada. 

Mas confesso que não estava à espera, de novo. Especialmente de ser instigada tanto quanto fui ao ponto de me avaliarem como mulher a porem-se a comparar coisas. Ainda por cima tendo acabado de fazer anos e de já há décadas ter noção de que estou muito doente e que o meu corpo é como é. 

Outra mulher ficaria extremamente ofendida por ser avaliada como um objecto. Eu fiquei mexida com isso, mas como sempre entendi o que estavam a querer dizer que era para eles mesmos. Porque nunca é tanto sobre nós mas mais sobre eles, pelo menos da maior parte das vezes. 

Cada um de nós dá a desculpa que dá, cada um de nós tem a noção do que podemos fazer ou não, cada um de nós defende-se como dá. Pusemos hipóteses, sim, isso é que foi o pior. X. "desbloqueou" Y. como este disse, mas a mim também um bocadinho no sentido de voltar a formular hipóteses. 

Somos artistas, fascinamo-nos de repente, deve ser isso e não deve passar disso. Talvez no fundo eu e Y. estejamos ainda demasiado traumatizados para sequer pensar em hipóteses e X. com a sua jovialidade e omnipotência de quem tudo pode, não podendo, fugiu também à questão. Ou não. O amor, ou os seus simulacros, hoje em dia é tão moderno e fugaz. Mas também ele era ciumento, pelos vistos e com outra, ainda por cima. O nosso fofo amorzinho fugaz de amigos honestos palhaços, com eles sempre ébrios, foi um bocadinho marcado, sim. Eu vi todas as fases e nuances só nesses poucos breves encontros ao acaso. 

Eu não me permiti derramar um par de lágrimas pela tristeza que já estava misturada e acumulada com as restantes destes últimos dias. Por isso, não permiti que puxasse essa linha dos acontecimentos,  mesmo com pesar. Talvez no meu âmago eu saiba e esteja a fazer o melhor, mas conscientemente eu não sei de nada e não consigo decidir nem saber. Talvez seja uma cobardia profunda, embrenhada tão fundo que me congela e sabota com essa espécie de apego evitativo.

Ou talvez não seja nada disso e, simplesmente, como disse X. não encontrei ninguém que estivesse à altura mesmo. É o mais provável, sim, infelizmente. 

Adeus, amados.

 (raio de eclipse, hein? mas, pronto, tá feito 😟💔always)

quinta-feira, setembro 04, 2025

Diamantes e Ferrugem como Baez e Dylan

Do amor que te tenho 
Guardado no peito
Como chama sufocada
Feita em carvão 
Depois do fumo todo
Causado por confusão 
Vêm vagas memórias 
Que ora são raros diamantes 
Ora são ferrugem da história 

 O que ficou prometido sem nos falarmos sequer...', mas falámos e demasiado sobre lol

Eu esperei 

Horas

Dias

Anos

Todos me deixaram pendurada

Mas eu não fiquei enforcada

Mais valia


(deram-me bolo d novo, os dois n vieram pra jantarmos hj pra celebrar o meu aniversário e o término da obra, nem sei s beberam e esqueceram ou o q aconteceu, mas passei dois dias depois e vi q já parecia terminado. chances perdidas devem ser lições aprendidas)

quarta-feira, setembro 03, 2025

Ainda neste pós-aniversário

 Talvez seja verdade que nada vale a pena e eu quis à força do afecto fazer conta que sim, que o Amor era a força maior que movia montanhas, vi demasiados filmes românticos e fiquei iludida. 

Não há amor possível. As pessoas só pensam em luxúria e prazeres imediatos e fugazes. 

A vida é uma constante desilusão. Podemos acreditar, tentar, criar, mas o facto é que a realidade pura e dura é feito de estereótipos e preconceitos. 

Eu só me dei à hipótese das coisas porque quis ser como toda a gente e ter uma vida dita normal. Nunca consegui, não sei ser falsa, não sei viver com os erros que cometi, sou hiperconsciente e desisti de tudo porque não há nada para mim. 

Nunca houve. 

 O amor existe 
e esconde-se no éter
dá náuseas e delírios
febres e desatinos
cheiros a paraíso 
colheita de Deméter
O amor existe embriagado
gargalha para todo o lado
finge que é meu namorado 
e acaba a noite intoxicado
diz que eu o envenenei
com uma folha de figueira 
e empurra-me para outro
assim de qualquer maneira 
O amor nunca foi maduro
porque ele existe como fruto
que cai pronto no chão 
finge não ser astuto
torna-se ácido como um limão 
 O amor existe 
Por si só
E não é construção 
Isso é convivència
Mas amas até quem não viste
Amas mais quem morreu
Os teus avós
Mesmo quem não te conheceu
Até o mais atroz
Amas Perseu e o albatroz 
Que levou os gnomos
Naquela cena mágica 
Amas o amor 
O que nasceu de uma dor 
Que foi espinho na flor

terça-feira, setembro 02, 2025

44 anos para aprender

Custou menos desta vez
Aprendi a lembrar dos bons
E a desfocar dos péssimos 
Que nunca me dão parabéns 
Por nada do que sou
Nem fizeram questão de mim
Da minha presença 
E no entanto eram quem amei
Mais do que a todos 
Até deixarem nada de alegre
No meu coração 

Hoje sei que não me amaram
E que nunca se preocuparam
E ainda fizeram troça de mim

Cresci e aprendi

domingo, agosto 31, 2025

Estória de um amor estragado

 Uma nuvem quis vir ao meu encontro 
Surpreendeu-me com os seus pedidos 
Minutos depois encostou-se a meu ombro
Cheirando os perfumes ternos mas aflitos 

Rapidamente quis fugir dela
Antes que começasse a chover 
Entrei numa tempestade 
De novo achei que podia morrer

E mais tarde após sofrer o meu corpo
E ter pensado como a vida é fugaz
Quis deixar o passado morto
E estar com a nuvem de forma capaz

Para nos despedirmos nuns segundos
Nem pensei mais no que me fez mal
Nem na chuva que viria mais tarde
Só por um ósculo pedido perdi o tal

Talvez no fundo o coração tenha dito
Que devia fazer de tudo para eliminar 
Um amor proibido e anormal 
Que durante anos tudo em mim arde

Mesmo assim só veio me piorar
Tudo aquilo que pensava resolvido 
Foi de novo um arpão no mar
O meu grande amor proibido 


(como o Fred 'freestyle rapper' gosta de rimas lol)

sábado, agosto 30, 2025

 Fui tão honesto 
Que todos sabem 
O quanto presto

Fui um livro aberto
E tanto que amei
Hoje já pouco resto
Nada sou e menos sei

Entre os meus falecidos
Os mais recentes 3 tios
Pergunto o que ficou
Se tudo o vento levou

Como a vida é triste 
Meus deus
O amor já não existe 
Tu levaste o meu

quinta-feira, agosto 28, 2025

Traumatizados

 Traumatizados do cabelo aos cotovelos 
Com uns grilhões nos tornozelos 
Arrastamo-nos pela Terra quando é preciso 
Uns chamam--nos de almas penadas
Dizem que somos maus e que de amor
Não entendemos nada
Mas só nós é que levámos com as dores
De sermos ignorados e mal-amados
Por essas ditas pessoas de bem 
Muito bem-sucedidas e no seu egocentrismo 
Nem vêem que se nós não tivéssemos existido
Eram elas que tinham ido para o abismo 

domingo, agosto 24, 2025

 Ainda bem que isso de amar pessoas de que não se gosta como pessoa acabou. 🙌🏽

 "As únicas pessoas que não se arrependem são idiotas e psicopatas. Eu tenho uma vida cheia de arrependimentos. Eu amo-te, espero que um dia me possas perdoar." - Robin Williams 

sábado, agosto 23, 2025

quinta-feira, agosto 21, 2025

 A única liberdade que sempre experienciei foi a de ser gratuita e espontâneamente bom enquanto ser, de uma forma tão inerente que a ternura é apenas quem sou. 

E isso é deveras bonito. 

quarta-feira, agosto 20, 2025

Depois de Yang

 Quantos momentos quisemos que durassem para sempre?

Muitos fotografámos na ilusão de poder retê-los, outros apenas congelámos na retina da memória.

Instantes preciosos, alguns em que pensámos mesmo "podia morrer agora que morria feliz", foram poucos mas pareceram únicos. 

"É raro mas acontece muito", durante uma vida toda que dura. 

Há uma música que a pontua. Depois também há uma música de fundo. E, de repente, também vês que foram dezenas que se constituíram numa banda sonora do filme da tua vida. Quais serão as últimas que te vêm no leito da despedida? 

(dps d After Yang ❤️👌🏽)

terça-feira, agosto 19, 2025

 Da clepsidra à ampulheta e chegando até ao relógio no teu telemóvel, foram muitas as monções do Tempo.

Escreve-me cartas

 Escreve-me cartas
Como se faz
Em tempo de guerra
Para significarem esperança 
Para quem tenta sobreviver 
Todos os dias a lutar
Para termos para onde voltar
E a certeza de que o amor 
Nunca acabou

 Depois das oito pessoas de seguida em 8 meses no ano passado, reparei que perdi também três tios em quase dois anos. Definitivamente estou naquela idade em que todos morrem. Eu não sei se eu vou durar muito mais, mas ainda queria ter pela primeira vez uma vida de paz e com essa felicidade, sem que tenha de esperar pela morte para isso. 

segunda-feira, agosto 18, 2025

Urgência

Late no peito 
Sufoca-se o ar
Aspira-se com força 
Quebra-se a loiça 
Ânsia das mãos 

Irrompe emergência 
Que transborda 
Por causa de ti
Da tua ausência 
Essa falta em mim
Ninguém me canta
Para eu adormecer 

Tu que foste um napoleão 
Conquistando todos
Ao teu redor e passagem 
Invadiste o meu coração 
Pisoteaste-o a rodos
Só sobrou devastação 
Foi uma doida viagem 


sábado, agosto 16, 2025

 Toco o silêncio 
Que é a nota mais difícil de cantar 
Depois de tanta hiperadenalina 
Doente com tanto intento
Que me foi destruir e esgotar 
E a nós como uma má sina
Tanto lamento 
Todo o mal que acabei por causar

Desafio

 Nunca nada começa do começo 
Tudo tem uma história antes
E nós não decidimos o desenredo
Passado e presente advêm adjacentes 
O homem animal mede o medo
O homem racional vê variantes
Intrépido interpela só na solidão 
Vigora uma viola mágica na mão 
E abraça o embaraço por inteiro 
E recomeça o que interessa sem dinheiro 


 O amor verdadeiro não é quem te completa, mas quem faz com que te enfrentes, te conheças e quem faz com que tu regresses a ti mesmo para seres o mais verdadeiro para ti e para os outros.

quinta-feira, agosto 14, 2025

Depois, só há nós dois

 O nosso tempo será frio
Quando for o rescaldo da desolação 
Quando só restarem cinzas no chão 
Murmúrios, calafrios na espinha 
Úlcera ainda aberta na barriga 
Não tive o teu afago não 
Não houve gaze suficiente em Gaza
Para poder estancar a hemorragia 
E ninguém soube do Sudão 
Mataram milhões em momentos 
E outros foram presos em contramão 
Eu vi
Eu senti
E de tantos contratempos 
Faltou encontrarem uma solução 
E pôr em prática antes da explosão 

Em cinco anos ou menos
Toda a comida 
Toda a vida
Todo o mundo 
Toda a gente 
Desapareceu evaporando-se

O planeta foi uma panela de pressão.

 Dos triliões de coisas 

que eu nunca soube 

nem nunca saberei

a única coisa que faz pena

é não saber como tu és 

quarta-feira, agosto 13, 2025

Insta

 Todos participamos do instante 
Embora digamos que não queremos
Ter de produzi-los a toda a hora 
E é só o que fazemos nesta rota
Um instante não deve ser ensaiado
Quanto muito combinado e atrasado 
Pois outro instante vem logo já 
De alta instância mesmo que má 
Ninguém quer perder nem um instante 

A vida é um instante 
Uma fotografia Polaroid que ninguém secou



terça-feira, agosto 12, 2025

Fruto proibido

 Proibiram-me de te amar

Proibiram-me de te falar 

Proibiram-me de te ver

Mas quem disse 

Que isso ia interromper 

Todo o amor e a doidice

Que é te querer?

segunda-feira, agosto 11, 2025

 Sim, eu sei
Das coisas horríveis que te fiz
Cada uma fiz a mim também 
Estiquei a corda mais além 
Para nos poder enforcar o amor
Que não tinha lugar neste mundo 
E que não cabia no nosso coração 

Tanta confusão e tanto horror
"Ninguém acerta sem primeiro errar"
Diz o triste e belo samba-canção 
Mas eu com os meus mil erros 
Não pude acertar no teu perdão 

E não há nada neste mundo 
Que faça terminar esta paixão 
Doente, doentia e adoecida
Castigo, feitiço e maldição 
Não há nada mais profundo 
Do que esta eterna ferida 


(dps d ouvir 'Eu sei' de Cartola por Sílvia Borba)